Guilherme Souza juntou o dinheiro que precisava para pagar as mensalidades atrasadas graças ao trabalho e à ajuda dos leitores do Metrópoles

De biscoito em biscoito vendido nos semáforos de Águas Claras, veio a recompensa. Na última terça-feira (7/2), o pizzaiolo Guilherme Souza esteve na Faculdade Projeção de Ceilândia para quitar a dívida que tinha, de cerca de R$ 2 mil, com a instituição. Durante a negociação, pechinchou e até conseguiu um desconto. Assim, pagou à vista R$ 1,7 mil e pôde fazer a matrícula para o primeiro semestre de 2017 no centro de ensino. As aulas começam na segunda-feira (13).

O Metrópoles contou a saga do rapaz que viu na venda de biscoitos a solução para não abandonar o curso superior em 29 de janeiro. Como o salário na pizzaria não era suficiente para cobrir as despesas, o jeito foi batalhar. E, desde então, ele teve um “empurrãozinho”. “Com as vendas, eu juntei uns R$ 700. Mas teve gente, depois de ler a matéria, que passou lá no semáforo só para fazer uma doação. Outros me ligaram, depositaram na conta, parabenizaram e me ajudaram. Só com as doações, eu consegui uns R$ 1 mil. Assim, consegui fazer a matrícula antes mesmo do prazo, que era sexta-feira (10)”, contou o estudante do curso de gestão pública.

E as notícias boas não param por aí. Após ler a reportagem, um conhecido da igreja que ele frequenta em Samambaia arrumou um emprego melhor para Guilherme. Agora, nada de ficar na pizzaria até altas horas da madrugda. O jovem será auxiliar de escritório de uma empresa que presta serviço para o Ministério do Meio Ambiente.

Vou ganhar uns R$ 600 a mais. Já dá para pagar a mensalidade da faculdade. Espero não ter de passar por esse sufoco nunca mais. Agora é olhar para o futuro e, se Deus quiser, ir crescendo. Meu curso é de gestão pública. Quem sabe já sigo trabalhando por lá?

Guilherme Souza, estudante

Gratidão
Na porta da universidade, logo após fazer a matrícula, Guilherme não escondia a felicidade em poder seguir com os estudos. “Eu queria agradecer cada um que acreditou na minha causa, na minha história. Quem abriu o vidro do carro no semáforo, quem gastou um pouco do tempo lendo a matéria. Muito obrigado.”

No fim, prometeu que não irá decepcionar quem o ajudou. “Eu sou uma pessoa esforçada e vou continuar assim. Quero terminar meus estudos e poder melhorar de vida e até ajudar quem também precisa de um empurrão”, completou.

MICHAEL MELO/METRÓPOLESMichael Melo/Metrópoles

Guilherme já faz planos para o futuro

Superação
Em janeiro deste ano, Guilherme Souza passou a vender biscoitos no semáforo da Avenida Araucárias, em Águas Claras, próximo à Estação Concessionárias do Metrô. De real em real, o jovem tentava conseguir o valor para quitar a dívida do semestre passado com a faculdade. Ele não havia conseguido pagar as últimas mensalidades de 2016 e, assim, não poderia fazer a matrícula para o primeiro semestre de 2017.

Na época, ele trabalhava como pizzaiolo em um restaurante de Taguatinga, das 16h até a 1h. O salário que ganhava, pouco mais de R$ 1 mil, era suficiente para pagar a mensalidade quando iniciou os estudos na universidade. No entanto, quando a mãe ficou desempregada e ele precisou bancar todas as despesas da casa, na metade de 2016, e não foi possível seguir com os pagamentos em dia, contraindo a dívida.

Agora, com a dívida quitada e um emprego melhor, conta animado que até mesmo a mãe voltou a trabalhar. “Minha mãe conseguiu um emprego no início do mês, na área de limpeza. Com isso, fica mais fácil também, né? A gente vai poder pagar as contas da casa com mais facilidade”, completou.

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Com o emprego novo, a venda de biscoitos no sinal ficará para trás

FONTE: https://www.metropoles.com/distrito-federal/aluno-que-vendia-biscoitos-na-rua-paga-divida-e-seguira-na-faculdade