Na maioria das vezes, as escolas seguem um padrão internacional de ensino, com alguns temas básicos e universais. Na Turquia, porém, um dos assuntos mais explicados pela ciência acaba de ser banido da educação: o evolucionismo. A justificativa é que a matéria é muito complexa e controversa para a mente das crianças.

Os livros de biologia de lá não irão mais explicar sobre a evolução das espécies e nem sobre a seleção natural. Esse conhecimento só será ministrado para quem optar pelo ensino universitário. “Concordamos que, se os nossos alunos não tiverem os antecedentes para compreender as premissas e hipóteses ou se eles não têm o conhecimento e a estrutura científica, eles não serão capazes de entender algumas questões polêmicas”, explicou Alparslan Durmus, representante oficial da educação na Turquia.

A retirada do assunto do currículo escolar foi amplamente criticada pela comunidade científica ao redor do mundo. O biólogo evolucionista Richard Dawkins chegou a dizer que os políticos da Turquia são “cínicos manipuladores”, mas acreditava que, na realidade, eles são “simplesmente estúpidos”.

Apesar de o país ser considerado muito conservador desde que virou uma república, em 1923, isso só aumentou desde que o presidente Recep Tayyip Erdogan assumiu o comando em 2014. Críticos contrários às medidas de Erdogan acreditam que ele estaria transformando a Turquia em uma teocracia ultraconservadora.

Na Turquia, 99% da população é muçulmana, sendo que 49% desse total acredita na teoria criacionista, na qual o ser humano não mudou nadinha desde que foi criado por Deus há menos de 10 mil anos. Para efeito comparativo, esse percentual é 25% no Brasil, segundo dados de 2010. Além disso, 59% dos brasileiros acreditam que a evolução realmente ocorreu, mas ela teria sido guiada por Deus.

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