Em tempos de Enem/SISU temos nos deparado com essa frase todos os anos, vinda de estudantes os quais desistem dos cursos de seus sonhos porque a nota de corte dele é superior à sua média no Enem, a grande oferta de vagas ao invés de nos dar liberdade para escolha nos deixa paralisados frente a ela e a cada liberação das notas de corte acontece um tipo de “dança das cadeiras” entre os inscritos e os cursos ofertados, pois sua grande maioria sai à procura de cursos menos concorridos e com ampla oferta de vagas, sejam eles em outras cidades/estados ou diferentes do desejado inicialmente.

Como consequência disso, muitos escolhem um curso qualquer para ostentar a sua aprovação na federal, após isso alguns desistem das vagas conquistadas deixando elas para serem ofertadas em outras chamadas, e estudam mais um ano no intuito de tentar novamente, ou vão para uma universidade particular, onde a entrada é mais fácil, aos que insistem na vaga, parte é causadora do aumento do número de profissionais desqualificados no mercado de trabalho, reprovações e desistências nos cursos, pois não possuem tanto interesse neles, sendo assim, fazem um curso, digamos, “meia boca” e acabam por tirar vagas de quem poderia fazê-lo com vontade, em contra partida temos os que utilizam o reingresso dentro da universidade para alcançar seus objetivos, como também, os que encontram uma nova vocação numa profissão anteriormente não desejada e se tornam profissionais de qualidade.

Entretanto, há quem não mude seu foco e insista, apesar do vaivém das notas de corte e a possibilidade iminente de não ser aprovado, acreditando que possa ter êxito na segunda chamada ou até na lista de espera, o desejo de seguir com o curso pretendido acaba por ser maior do que o medo de não passar, muitas vezes por motivos de qualidade do curso e/ou universidade, pois buscam mais reconhecimento, chances de fazer pesquisa e sair do país.

Apesar da realidade ter mudado com o passar dos anos, e o diploma de ensino superior já não ser mais sinônimo de garantia de estabilidade financeira, podemos ver claramente as várias hipóteses dentro de um desejo maior compartilhado por muitos, entrar no curso superior cobiçado e se tornar um profissional de excelência, pois veem a universidade como uma maneira de ascender socialmente e ser encaminhado para um emprego de qualidade. Por isso, é trabalhado a não romantização dos cursos, que implica em desfazer o ideal romântico de que só devemos fazer o que se ama pelo resto da vida, acima disso está a preocupação com a vida financeira, a vontade de se formar logo para conseguir um bom emprego e poder se sustentar e ajudar também no sustento da família.