Existem inúmeros avanços médicos sendo conquistados no combate ao câncer no mundo — e uma das novas terapias desenvolvidas é uma que recebeu o nome de Kymriah, uma forma de imunoterapia baseada nas células (ou linfócitos) T, um tipo de glóbulo branco responsável pelas defesas do organismo.

Tratamento revolucionário

Mais precisamente, esse tratamento revolucionário se apoia em uma técnica conhecida como CAR-T que consiste em extrair os linfócitos do organismo dos doentes e alterá-los geneticamente com o uso de vírus modificados, entre eles o HIV. Esses agentes são previamente mutilados e, evidentemente, impedidos de transmitir a doença pelo qual são tão temidos — e atuam modificando o material genético das células T de forma que elas passem a ser capazes de detectar e atacar determinadas células cancerosas no organismo dos pacientes.

O tratamento em si envolve introduzir as células modificadas nos pacientes e esperar que elas façam seu trabalho.  A técnica é revolucionária e existem mais de 300 testes clínicos em andamento para provar a eficácia da terapia. E, apesar de terem sido registrados efeitos secundários em diversos casos — e a morte de vários pacientes —, a Kymriah mostrou ser bastante eficaz em casos de doentes jovens com prognóstico muito ruim de cura.

De acordo com os cientistas, os pacientes com mais chances de se beneficiar com o tratamento são pessoas com até 25 anos de idade diagnosticados com leucemia linfoblástica aguda, um tipo de câncer que afeta os linfoblastos (linfócitos imaturos) na medula óssea, que não respondem às terapias convencionais e que são muito, muito ricos.

Controvér$ia$

Após ensaios clínicos realizados em 12 países apontarem que 83% dos participantes submetidos à Kymriah tiveram remissão da doença e, um ano após a terapia, dois terços dos pacientes seguiam livres do câncer. Pois o FDA, órgão que regulamenta a comercialização de fármacos e novos tratamentos nos EUA, acabou de liberar o tratamento no país — o que é uma excelente notícia para quem está lutando contra o câncer… não fosse pelo custo astronômico.

A companhia por trás do desenvolvimento da terapia é a Novartis — que leva por volta de 22 dias para produzir cada tratamento individualizado para cada paciente —, e o custo por aplicação será de US$ 475 mil (perto de R$ 1,5 milhão). Achou muito? O valor foi reduzido da estimativa inicial de US$ 600 mil por injeção ou quase R$ 1,9 milhão. Apenas. Existem negociações em andamento e uma delas seria possibilidade de que o paciente pague pelo tratamento só se seu organismo responder positivamente à terapia no prazo de um mês.

Deixando a controvérsia sobre o custo por tratamento de lado — afinal, de momento só podemos torcer para que o valor se torne menos proibitivo! —, o fato é que, de modo geral, a liberação para que a Kymriah possa ser usada é superimportante. Isso porque, embora as terapias genéticas se encontrem em desenvolvimento há algumas décadas, parece que muitas das dificuldades técnicas e éticas estão finalmente sendo superadas e tudo indica que esses tratamentos revolucionários se tornarão prática comum em breve.