Uma polêmica envolvendo estudantes de medicina do Espírito Santo tomou conta das redes sociais nesta semana, gerou comoção entre internautas, e ocasionou, inclusive, na abertura de sindicância para apurar comportamento indevido e antiético dentro da Universidade Vila Velha (UVV).

Em uma foto publicada em redes sociais e acompanhada da legenda “Pintos Nervosos”, os estudantes aparecem com as calças arriadas, ao mesmo tempo em que fazem um sinal com as mãos que remete ao órgão genital feminino.

A foto, que foi repetida dias depois por um grupo de estudantes de Blumenau, foi entendida como uma insinuação ao ato sexual e os alunos acusados de misoginia e apologia ao estupro. Em resposta, o estudantes alegaram se tratar de uma piada interna do curso e negaram as acusações. Para o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego), Leonardo Reis, entretanto, o caso é muito mais sério do que uma brincadeira entre alunos.

Em entrevista ao Jornal Opção, o médico oftalmologista condenou a atitude dos futuros colegas de profissão, alegando se tratar de “molecagem”. “Na minha época, não via esse tipo de comportamento. Hoje, as pessoas querem aparecer, e esta é uma posição pessoal minha. Pode ser agressiva, mas é realista”, opinou.

Na avaliação do dirigente, falta não apenas maturidade por parte dos alunos, mas também capacidade pedagógica pelas instituições de ensino. Ao comentar sobre a atuação de cursos de medicina recém-criados Brasil afora, Leonardo Reis critica o processo seletivo nessas universidades e sinaliza para um déficit no aprendizado ético e moral de quem passa pela academia nos dias de hoje.

“Qualquer um entra na faculdade de medicina hoje, basta ter dinheiro. Você já começa por aí: é um processo que não seleciona ninguém. As novas escolas não têm capacidade para formar alunos, seja técnica, ética ou moralmente”, avalia.

O presidente do Cremego faz questão de frisar que os conselhos regionais não possuem autoridade para atuar diretamente na formação das escolas de medicina ou mesmo punir comportamento indevido dos alunos.

O que os CRMs podem fazer é tentar ao menos balizar a atuação dos acadêmicos no ambiente de trabalho. Em Goiás, por exemplo, conta Leonardo Reis, o Cremego prepara, ainda para este ano, a confecção de um código de ética do estudante de medicina.

A intenção é propor o cumprimento de noções básicas para futuros profissionais médicos. “Até porque a formação em algumas universidade é ridícula, estamos vendo a formação de pessoas ética e moralmente desorientadas”, reforça.

Fonte: Jornal Opção